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FERTILIZAÇÃO IN VITRO MINIMAMENTE INVASIVA
Os tratamentos de fertilização in vitro podem ser
considerados por algumas pacientes como muito agressivos, em grande parte pela
necessidade de utilizarmos altas doses de hormônios para a produção de óvulos.
Estes hormônios produzem efeitos colaterais que podem ser mais intensos em
algumas pacientes e em outras até mesmo prejudiciais.
Existem também algumas pacientes que não podem fazer uso
deste tipo de medicação, como pacientes que tiveram câncer de mama, por
exemplo.
Assim, podemos nos valer das técnicas de FIV minimamente
invasiva. Estas técnicas podem ser resumidas a três tipos: ciclo natural,
mínimo estímulo e maturação in vitro
(IVM).
A. Ciclo Natural:
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Esta técnica é possível de ser empregada emtodas as pacientes que ovulem normalmente. Mulheres jovens que desejem evitar a
estimulação dos ovários com os hormônios podem tentar o ciclo natural
previamente. Também temos resultados muito bons em mulheres mais velhas e
naquelas que apresentaram previamente pouca resposta à indução convencional. É
o tratamento indicado para mulheres que – por uma questão de escolha e
concepção - não querem fazer uso de medicações para a estimulação controlada
dos ovários. Incluímos nestas condições as mulheres que não podem receber os
hormônios devido ao risco de desenvolver neoplasias (câncer) dependentes de
hormônios (como mama, por exemplo). É uma técnica mais segura e saudável do que
o tratamento convencional que emprega hormônios em altas doses.
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O custo total
do tratamento é significativamente mais baixo do que um tratamento
convencional, levando-se em conta que os medicamentos representam entre 40 e 50% do custo de uma Fertilização
in vitro. Não há supressão dos ovários e nem o surgimento de sintomas
semelhantes aos da menopausa (relativamente comuns em alguns tipos de estímulos
hormonais) e o ciclo de tratamento é completado seguindo o crescimento natural
do óvulo da mulher.
- O que é o ciclo natural para FIV?
Sumariamente e de maneira simplista, é um
tratamento de FIV realizado sem o uso de medicamentos. Em tratamentos
convencionais de FIV ou ICSI, as pacientes recebem altas doses de hormônios
para que os ovários produzam muitos óvulos. Já no ciclo natural para FIV, o
ovário produz apenas um folículo, que se desenvolve natural e espontaneamente,
produzindo apenas um óvulo (embora seja possível que naturalmente
desenvolvam-se mais de um óvulo ou até nenhum). Este não é um tratamento
inovador e nem algo revolucionário. É apenas uma concepção diferente e uma
maneira de não agredir o organismo com os riscos dos hormônios, como trombose,
neoplasias, síndrome de hiperestímulo ovariano, entre outros. Louise Brown, a
primeira criança nascida por FIV no mundo, foi concebida em um ciclo natural;
isso em 1978...
- Quer dizer que não são usados hormônios
nesta técnica de FIV?
Sim, é isto mesmo! Não utilizamos os
hormônios que estimulam o crescimento dos óvulos. Porém podemos administrar
alguns medicamentos para evitar que uma ovulação espontânea aconteça (existe um
risco de 30% de isto ocorrer). Isso é chamado de ciclo natural controlado.
Podemos nestes casos precisar também de usar o hCG para sincronizar a ovulação, como é feito em tratamentos de
monitorização da ovulação ou inseminação intra-uterina. A reposição de
Progesterona também será feita, pois ao retirar o óvulo o organismo sente
necessidade de ter este hormônio suplementado. A Progesterona é fundamental
para a implantação do embrião no útero e para manter a gravidez nos três
primeiros meses.
- Quais são os benefícios do ciclo natural?
Não há efeitos colaterais como alterações
do humor, retenção de líquido, inchaço, síndrome de hiperestímulo ovariano e
outras condições relacionadas à estimulação ovariana. Devido aos efeitos das
medicações no organismo, pacientes realizando tratamentos convencionais devem
esperar em média dois meses para repetir o tratamento; em contraste, pacientes
realizando ciclo natural podem fazer o tratamento em meses sucessivos, sem a
necessidade de pausas. Como apenas um embrião é transferido em ciclos naturais,
é virtualmente impossível uma gestação múltipla (a não ser que o embrião se
divida em dois; o risco para isso é de 1 : 1.000 tratamentos). Além disso, as
medicações para a estimulação ovariana são muito caras e o ciclo natural é
muito mais barato do que um tratamento convencional (entre 40 e 50% menos).
- Quais são as desvantagens do ciclo
natural?
As taxas de sucesso são baixas se
comparadas ao tratamento convencional. Há também um risco elevado de ovulação
espontânea antes da coleta do óvulo (se não realizarmos o bloqueio hormonal) e
de não termos óvulos produzidos no ciclo.
- Quem pode fazer ciclo natural para
FIV?
Mulheres com menos de 45 anos e que ovulem
normalmente podem ser candidatas a este tipo de tratamento.
- Quem não pode fazer ciclo natural para
FIV?
Mulheres que não ovulem regularmente. Neste
caso, devemos empregar o mínimo estímulo ou maturação in vitro.
B. Mínimo estímulo:
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É uma adaptação do tratamento de FIV
convencional. A diferença é que usamos baixíssimas doses de hormônios,
usualmente 75 unidades em dias alternados, contrastando com 225, 300 ou mais
unidades ao dia nos tratamentos convencionais. A meta é obter poucos óvulos,
entre 2 e 7. Não fazemos o bloqueio prévio da hipófise, iniciamos o tratamento
de maneira sincrônica com o ciclo menstrual normal. A ovulação espontânea é
realizada para que possamos fazer a coleta dos óvulos. Este tipo de tratamento
é seguro, mais barato e minimiza – ou até elimina – os efeitos colaterais de
uma estimulação convencional. É também uma raridade a ocorrência da Síndrome de
Hiperestímulo Ovariano nesta modalidade de tratamento.
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C. Maturação in vitro (IVM – in vitro
maturation):
A maturação in vitro é uma técnica largamente utilizada em veterinária, como em
bovinos, por exemplo. A ideia nesta modalidade de tratamento é retirar os
óvulos dos ovários antes de eles sofrerem o processo de seleção e apoptose
(quando o ovário faz com que apenas um óvulo continue crescendo naquele ciclo).
Assim, retiramos os óvulos imaturos, antes que o folículo dominante comece a
surgir. Os óvulos imaturos são então levados ao laboratório (in vitro) e colocados em uma cultura
especial de hormônios para que “amadureçam” (maturação). Quando os óvulos estão
finalmente maduros, é feita a coleta de sêmen do marido e então a sua
fertilização. A partir daí as etapas são idênticas às da FIV convencional.
- Quais as vantagens da IVM?
A maturação in vitro elimina a necessidade
de administrarmos hormônios à mulher, poupando-a de todas as conseqüências e
riscos desta estimulação.
- Quais as desvantagens da IVM?
A IVM ainda apresenta resultados inferiores
ao da FIV convencional. É considerada um procedimento experimental e ainda está
em desenvolvimento.
- Quem pode realizar IVM?
Como regra, as mulheres com ovários
policísticos são as melhores candidatas para este tratamento, já que possuem
inúmeros óvulos imaturos ao mesmo tempo no ovário. Outras condições em que as mulheres
possuam uma boa reserva de óvulos (mais do que 10 folículos antrais contados ao
ultra-som) também possibilitam a realização da IVM. Mulheres em tratamento de
câncer também são boas candidatas a este tratamento.
- Quem não pode realizar IVM?
O tratamento não é indicado para mulheres
mais velhas ou que não tenham uma grande quantidade de óvulos (reserva
ovariana).
SUMÁRIO:
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Tratamento
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Meta
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Medicações
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Ciclo natural
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Um óvulo
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Sem medicações
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Ciclo natural controlado
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Um óvulo
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hCG, antagonistas GnRH
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Mínimo estímulo
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2 a 7 óvulos
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Baixas doses de FSH
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FIV convencional
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Mais de 8 óvulos
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Altas doses de FSH
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Maturação in vitro
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Mais de 8 óvulos
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Sem medicações
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